Oftalmologia para Crianças

Quando nascemos nossos olhos entram em um processo de amadurecimento e desenvolvimento da visão. Esse processo ocorre principalmente nos nossos sete primeiros anos de vida. Durante esta fase é fundamental que realizemos avaliações oftalmológicas para garantir que o desenvolvimento seja completo.



Como o meu bebê enxerga?
Nos primeiros dias de vida o recém-nascido vê a imagem da mãe borrada e a uma distância de apenas 30 a 50 centímetros. Com o desenvolvimento da visão, aos 3 meses de vida já consegue enxergar objetos a cerca de 3 metros de distância. Com um ano e meio de idade já apresenta visão semelhante a de um adulto.

Quando devo levar meu filho ao oftalmologista?
Ao nascer, a criança é avaliada de forma completa pelo pediatra. No entanto, alguns exames mais específicos devem ser realizados pelo oftalmologista entre o terceiro e o sexto mês de vida do bebê. Quando antes diagnosticarmos e tratarmos as possíveis alterações oculares menor será o comprometimento para a visão da criança. Em geral, esta avaliação deve ser repetida com um ano de idade e então anualmente, principalmente durante o processo de alfabetização.

Quais alterações meu filho pode ter nos olhos?
São diversas as alterações que um recém-nascido ou criança podem apresentar durante o seu desenvolvimento.
As mais comuns são:

  • - alterações de grau (hipermetropia, miopia, astigmatismo),
  • - desvios oculares (estrabismo ou olhos tortos),
  • - ambliopia (não desenvolvimento da visão em um dos olhos),
  • - alterações nas pálpebras como a ptose (queda da pálpebra superior).

Existem também alguns casos de catarata ou glaucoma logo ao nascimento e de tumores oculares em crianças com cerca de um ano de idade. Esses casos são graves e devem ser imediatamente tratados.

Qual o grau mais comum nas crianças?
Em relação ao grau, a hipermetropia é a alteração mais freqüente nos recém-nascidos e crianças. Isso ocorre principalmente porque os olhos ainda são pequenos. À medida que a criança cresce, os olhos acompanham esse crescimento e a hipermetropia tende a diminuir. Em alguns casos a criança usa óculos apenas por um período para corrigir a hipermetropia. Muitas vezes a hipermetropia pode estar acompanhada de um desvio dos olhos (olhos tortos ou vesgos), nestes casos é fundamental que a criança seja cuidadosamente avaliada e tratada.
Outra alteração comum é a miopia. Esta costuma aparecer com o crescimento da criança e pode aumentar até que ela atinja seu tamanho de adulto.



Como o oftalmologista examina o bebê ou a criança pequena?
Conforme a idade da criança existem diversos artifícios (objetos coloridos, luzes, etc) e técnicas para realizar uma avaliação oftalmológica. Em muitos casos é importante dilatar os olhos para que todas as estruturas sejam avaliadas (retina, nervo óptico e região macular) e também para calcular o grau correto dos olhos.

Às vezes acho que os olhos do meu filho estão tortos (vesgos). O que devo fazer?
Até os dois a três meses de idade, é normal que o bebê apresente alguns discretos desvios durante a visualização dos objetos. Após essa idade, ele já adquire coordenação para manter os dois olhos alinhados, caso observe algum desvio, é importante levá-lo para uma avaliação oftalmológica.



Como sei que meu filho precisa usar óculos?
Muitas crianças não percebem que estão enxergando mal e por isso não se queixam aos pais. No entanto, podemos notar alguns sintomas que sugerem alterações oculares:

  • - queixar de dor de cabeça, principalmente após a escola ou após longo período no computador ou televisão.
  • - desatenção ou baixo rendimento escolar
  • - lacrimejamento ao assistir televisão
  • - dificuldade e desinteresse ao realizar deveres de casa
  • - fechar levemente os olhos para ver objetos distantes
  • - coçar ou apertar frequentemente os olhos
  • - piscar ou fechar os olhos excessivamente



Se eu tenho miopia meus filhos também podem ter?
Sim. As crianças podem herdar o gene da miopia dos pais, mas nem sempre irão manifestar esse gene, ou seja, podem ou não apresentar a miopia. É muito importante que as crianças de pais míopes façam consultas regulares com o oftalmologista, pois a miopia tende a aparecer à medida que elas crescem.

Com que idade meu filho poderá usar lentes de contato?
Antes de indicarmos lentes de contato para as crianças ou adolescentes fazemos, juntamente com os pais, uma avaliação cuidadosa. O mais importante é saber se a criança é capaz de manter os cuidados com higiene e manuseio necessários para o uso correto das lentes de contato.
Em casos estéticos, recomendamos o uso após os 12 anos de idade. Em casos de crianças com menos de 12 anos e que fazem esportes regularmente, recomendamos o uso apenas durante a atividade e sempre monitorado por seus pais.
Há casos em que apenas as lentes de contato conseguem melhorar a visão na criança (alta miopia, grande diferença de grau entre os dois olhos, ceratocone, etc), sendo indicado o seu uso.
É fundamental que os pais removam as lentes de contato e levem a criança ao oftalmologista se observadas alterações como vermelhidão, lacrimejamento, secreção ou mancha na córnea.

Meu filho fica muito perto da televisão. Ele pode não estar enxergando bem?
Sim. Esse é um sinal de alerta aos pais, pois a criança pode não estar enxergando ou ouvindo bem. É importante levá-la ao oftalmologista e ao otorrinolaringologista para uma avaliação.

Meu filho fica muito tempo diante do computador ou vídeo game. Isso faz mal para os olhos?
Não. Ao contrário do que muitos pensam a televisão ou computador não prejudicam nossa visão. Apenas geram maior cansaço e ressecamento nos olhos, pois o esforço visual é maior e piscamos menos.

Mensagem final:
Devemos levar nossos filhos ainda bebês para uma primeira avaliação oftalmológica. As avaliações devem ser regulares principalmente até os sete anos de idade. Desta forma, prevenimos alterações que comprometeriam seu desenvolvimento visual e consequentemente intelectual e motor.

As crianças pequenas dificilmente informam seus pais que não estão enxergando bem. O escritor Manuel Rosa retratou de forma encantadora esse fato em seu livro “Manuelzão e Miguilim”.
Miguilim era um menino que morava em um remoto lugarejo do sertão, apresentava diversas dificuldades sociais e com trabalho no campo. Sua vida passa a ter novos rumos quando um médico (Dr. José Lourenço), ao perceber sua dificuldade visual, lhe empresta os óculos.

“Miguilim olhou. Não podia nem acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”.

Dra. Nadia Moysés

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